
EVOLUÇÃO CROMÁTICA
A primeira pergunta que se põe depois da audição deste «Blue Record» e que poderá para muitos ser anacrónica, é a seguinte: Será que os sacrossantos pilares da música estarão a ruir perante uma maior atracção por uma amálgama artística de contornos inovadores. Por outras palavras, o “híbrido” estará a ganhar a guerra ao arqui-rival “puritano”?
Esperava-se com ansiedade o segundo registo destes Norte-Americanos muito por culpa do excelente «Red Álbum». Fruto dos rasgados elogios ao trabalho de estreia que chegou mesmo a ser considerado como álbum do ano para a influente revista “Revolver”, os Baroness confirmam aqui o glorioso momento de um metal moderno que deliberadamente se tende a afastar do cliché metalcore que vêm dominando a cena. Considerados pela sua editora Relapse, como a "next big thing”da facção pós-metaleira o que podemos esperar deste segundo longa-duração é uma evolução pintada a tons de azul que reclama um trabalho mais compacto e maduro recheado de coros empolgantes, variações electro-acústicas e sinergias de um movimento cada vez mais inculcado na fusão de géneros musicais.
Os Baroness aproveitaram a matriz musical que os elevou a um patamar singular da música pesada e desenvolvem-no em mais um trabalho de inegável qualidade, gizado neste «Blue Record». Ao longo destes doze temas a sincronia entre peso e melodia funciona na perfeição, denotando um alinhamento irrepreensível entre explosões sonoras como «Jake Leg» e interlúdios geniais com «Steel that Sleeps the Eye» que pressupõe uma maior identificação a um álbum conceptual pela substância e não pela forma. No complemento visual os Baroness voltam a marcar a sua força estética com um dos melhores artworks do ano, como se não bastasse já terem feito um dos melhores álbuns de 2009. E nesse aspecto John Baizley não é só um portento das seis cordas ou um furioso lead singer como um designer de excelência com reconhecidas capas para Darkest Hour, Pig Destroyer ou os “amigos” Torche. Um original para comer com os olhos, portanto.
Depois da troca de guitarristas e da pressão acrescida, os Baroness provam que são um nome a ter em conta nos escaparates do metal instrumental de influência “neurosiana” ao lado de uns Mastodon, Torche ou Minsk. Com mais esta prova de vivacidade e já depois do anunciado final dos suecos Burst, o caminho estará livre para estes nativos da Geórgia carregarem orgulhosamente a bandeira do post-metal. Para onde nos poderá levar este efervescente cocktail sonoro depois de mais uma obra de arte dos conterrâneos Kylesa – o «Static Tensions» que funcionou como rampa de lançamento para um conjunto de discos de nível superior - não sabemos. A verdade é que «Blue Record» não é só um óptimo álbum. É um testemunho essencial para se perceber que caminho o Heavy Metal está a tomar neste novo milénio. E verificando esse rumo por cada audição tomada, isso deixa-nos no mínimo felizes.
(Relapse Records, 2009)
(9.2)
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